Já sabemos que o Brasil está entre os maiores produtores de café do mundo, sendo que o café arábica é o mais consumido e responsável por 50% dessa produção mundial.

Somos famosos pela qualidade e sabor de nossos grãos, popularmente apelidados de “Ouro Verde”. No entanto, há alguns anos o café brasileiro vem sofrendo uma certa desvalorização em relação ao café Colombiano.

Na verdade, diversas regiões produtoras em vários países disputam o posto do melhor café, mas cada produção tem suas características únicas. De fato, o desenvolvimento da cadeia produtiva de cafés premium, acelerou a corrida pela qualidade de grãos, tornando a concorrência entre produtos mais acirrada.

Com isso, os cafés cultivados nas regiões dos trópicos, principalmente nos países das Américas do Sul e Central, são apontados como os principais expoentes do mercado.

Em relação ao café gourmet, o café colombiano, cultivado nas encostas da Cordilheira dos Andes, tem se destacado dos demais, como um dos melhores do mundo.

Há quem aposte também nas atuais safras brasileiras, que estão ganhando prêmios importantes nos concursos mundiais nos últimos anos.

A seguir, vamos focar no café Colombiano, suas principais características, variedades, melhores marcas, e diferenças nas práticas de cultivo e produção, comparado ao café brasileiro, líder do ranking mundial de produção, com a Colômbia ocupando a terceira posição.

Porque o café da Colômbia é tão famoso e considerado superior? Vamos descobrir abaixo!

História do café colombiano

Há uma lenda que contam que missionários jesuítas levaram os primeiros grão de café para a Colômbia, em meados de 1700. Mas de acordo com dados históricos, a produção e comercialização das primeiras sacas de café para o exterior deu-se em 1835, a partir de Salazar de las Palmas, Norte de Santander.

O café colombiano saía de Cúcuta, principal porto do país na época, para ser comercializado na Europa, sendo que em 1860, ele já era tido como o principal produto de exportação da Colômbia.

Desde então, o cultivo de café no país se espalhou por meio da agricultura familiar, desenvolvida em pequenas propriedades localizada em altitudes elevadas (1,2 mil e 2 mil metros).

Região de solo vulcânico, extremamente fértil e rico em nutrientes, de grandes altitudes, e influenciada pela presença de clima ideal (temperaturas que variam de 8 a 24 graus), a geografia da Colômbia contribuiu bastante para o destaque do café no mercado internacional, dentre outros fatores.

Assim, a variedade de elevação das lavouras, o regime peculiar de chuva e de exposição solar foram fatores determinantes para uma qualidade superior dos grãos produzidos, em sua grande maioria arábica.

Afinal, o café arábica se reproduz facilmente em altitudes elevadas, mas que exige o manejo artesanal das lavouras, com uma colheita 100% manual, selecionada fruto a fruto.

Portanto, o solo fértil, a forma de cultivo e colheita dos grãos são os principais responsáveis por tornar a Colômbia um dos primeiros países a despontar na produção e no comércio de cafés premium, colocando-a na terceira posição dos países que mais exportam café.

pote com grãos de café

Características do café colombiano

Como a Colômbia está localizada em uma região geográfica repleta de microclimas, o país dá origem a cafés arábica de variedades diversificadas, com sabores bem variados.

Os períodos de colheita, realizados duas vezes ao ano, dependendo da região (de abril a agosto e de setembro a janeiro), também interferem no perfil de sabor dos grãos, que se apresentam suaves e bem equilibrados.

O resultado na bebida é um corpo médio e sedoso, com níveis de acidez variando de médio ao alto, e doçura pronunciada. Portanto, um café fácil de ser apreciado por todos.

Alguns especialistas também classificam os perfis de sabor dos grãos segundo a região produtora. Por exemplo, o Norte do país produz cafés com notas de chocolate e nozes, menos ácidos e com mais corpo.

Já região Central produz exemplares ricos em sabores de ervas e frutados; e o Sul oferece grãos com acidez marcante e aromas mais cítricos.

Para o mercado consumidor, o café colombiano é um dos preferidos para extração de expressos, devido às torras média e média escuras, que não deixam os grãos amargos demais, desde que a moagem seja fresca (na hora), que preserva os óleos do grão.

Variedades de café colombiano

As variedades de cafés mais consumidas no mundo inteiro são das espécies arábica e robusta. O café arábica produz uma bebida mais aromática, com baixo teor de cafeína e menos amargor.

Já o café robusta produz uma bebida mais encorpada, com mais cafeína, menos doce e de aroma menos marcante.

No caso, a Colômbia produz, em sua maioria, cafés arábica, das seguintes variedades:

  • Típica: conhecida como nacional ou arábico;
  • Bourbon: de aroma intenso e sabor adocicado;
  • Maragogipe: frutos grandes, porém, poucos produtivos;
  • Tabi: alta qualidade, mas pouco produtiva, de produção destinada à fabricação de cafés especiais;
  • Caturra: semelhante ao Bourbon, de grãos maiores;
  • Variedad Castillo: produção igual ou superior ao Caturra, de qualidade semelhante às demais variedades de café arábico.

Diferenças entre Café colombiano e café brasileiro

O primeiro fator a ser analisado para determinar as diferenças entre o café colombiano e o café brasileiro é que cafés 100% arábicos são produtos de “terroir”. Ou seja, tanto a lavoura quanto o fruto, possuem influências geográficas, como clima, solo e regime de chuvas.

Portanto, na maioria das vezes, uma mesma produção pode originar safras de qualidade e sabores diferentes. Assim, cada café é único.

Como tanto o Brasil, quanto a Colômbia são grandes produtores de café arábica, vamos analisar abaixo alguns detalhes individualmente que os diferenciam:

Produção do café colombiano

Além das condições geográficas serem diferentes e bastante específicas de cada país e região, existem outras diferenças entre os cafés colombiano e brasileiro, uma delas é a forma como são produzidos.

Apesar da altitude superior aos 1,2 mil metros das lavouras arábica e a colheita manual dos grãos semelhantes em ambos os países, o manejo do grão é diferente.

Na Colômbia, os frutos maduros são colhidos e lavados, ficando de molho na água antes de retirar a casca e serem despolpados, para depois serem fermentados por cerca de 12 a 36 horas, para remover a goma açucarada do fruto.

Após a fermentação, eles são colocados para secar naturalmente ao sol.

Esse processamento úmido produz um grão mais limpo, brilhante e frutado, além de impactar na acidez do café. Por isso, o café colombiano é considerado mais suave que o café brasileiro.

Por conta desse tipo de manejo o café colombiano é comercializado no mercado internacional como tipo C, isto é, café tipo lavado.

No entanto, ele demora mais para ser produzido e precisa ser comercializado em no máximo 6 meses, para não perder importantes características, como cor e aroma.

Já o café Brasileiro é processado a seco (ainda dentro do fruto), em um processo “natural”, que faz com que o grão conserve grande parte da sua doçura. Esse método torna a sua preservação mais longa, permitindo que seja armazenado por mais tempo.

Com isso, a sua produção em quantidade pode ser maior. Em geral, o café brasileiro tem cor, aroma e sabor mais intensos que o café colombiano.

fazendas cafeeiras de café na colômbia

Marketing do café colombiano

O apoio do governo ao café local de origem superior foi o que garantiu a fama mundial da Colômbia no mercado cafeeiro gourmet. O governo colombiano reconhece o potencial econômico de sua indústria cafeeira desde a metade do século passado.

Tanto é verdade que o café colombiano é parte da identidade nacional do país, possui um órgão nacional para o desenvolvimento da cadeia produtiva (FNC – Federação Colombiana de Produtores) e ainda lançou uma campanha de marketing assertiva para divulgar a marca Juan Valdez.

Além disso, a marca estabeleceu um padrão de atuação comercial focado no mercado premium, criando uma identidade de altíssima qualidade nos grandes mercados consumidores ao divulgar a marca e abrir cafeterias e e-commerces próprios.

Além do marketing, o governo e a FNC trabalham em projetos visando não apenas gerar lucros, mas também pesquisa, treinamento, proteção ambiental e desenvolvimento comunitário, sendo que a UNESCO reconhece a região cafeeira colombiana como Patrimônio da Humanidade.

Já o Brasil, embora seja o maior produtor mundial, cultiva espécies arábica e robusta, sendo que até o início dos anos 2000, focava na produção e comércio de commodity agrícola, com alto volume de produção, direcionado ao mercado comercial e não gourmet.

Apenas há pouco tempo que o país começou a se desenvolver no mercado de cafés premium, destacando-se no cenário internacional e ganhando prêmios importantes em concursos mundiais.

Portanto, o café premium brasileiro pode não ter alcançado a mesma fama do café colombiano, mas possui qualidade e potencial para ficar entre os melhores do mundo.

Principais marcas de café colombiano

O café colombiano é dividido em categorias de acordo com a sua qualidade, sendo o grau mais alto Supremo, seguido do Extra, e do Excelso, é uma mistura inferior dos dois primeiros.

Para ter certeza da origem dos grãos, procure pelo selo “100% Brands of Colombia”, além de informações mais detalhadas sobre a fazenda produtora e o terroir da região.

Veja a seguir as principais marcas de café colombiano de maior qualidade e consumo no mercado internacional:

1. Don Pablo Colombian Supremo

Um café colombiano supremo de qualidade extrema, de sabor doce e suave, com um corpo médio e leve acidez, com notas cítricas.

A torra é média-escura, que promove caramelização e destaca os açúcares naturais do grão. Produz notas levemente defumadas, de noz e chocolate amargo.

2. Volcanica Colombian Peaberry

Conhecido pela seleção criteriosa de apenas grãos de qualidade superior, fruto de mutação genética de cada safra (cerca de 5% da lavoura), sendo considerado raridade entre os Supremos.

Possui torra média, sabor suave, com notas de cereja, chocolate, malte e nozes. A finalização é levemente adstringente, evidenciando notas de chocolate e nuances de madeira.

3. Juan Valdez

A marca reúne produtores de café premium de todas as regiões da Colômbia (Sierra Nevada, Nariño, Huíla, Cauca, Santander, Tolima e Antioquia), sendo gerida pela Federação Nacional dos Cafeicultores.

Eles são comercializados em todo o mundo através de cafeterias, delicatéssen e e-commerce próprios. Como possui diversos produtores de diferentes regiões, não há como descrever o sabor dos cafés da marca, que também oferece linhas premium e sustentável.

cafeteria preparando delicioso café

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